
Redução gradual de tarifas tende a baratear rótulos europeus e aumentar a concorrência no país
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deve provocar mudanças significativas no mercado brasileiro de vinhos, com impacto direto sobre preços, competitividade e oferta de rótulos. A redução progressiva das tarifas de importação tende a tornar os vinhos europeus mais acessíveis, intensificando a concorrência com produtos sul-americanos e com parte da produção nacional, especialmente no segmento de vinhos finos.
Considerado um dos maiores tratados comerciais do mundo, o acordo envolve um mercado de mais de 700 milhões de consumidores. Assinado em 17 de janeiro de 2026, após cerca de 25 anos de negociações, o texto ainda depende de ratificação pelos parlamentos nacionais e pelo Parlamento Europeu para entrar plenamente em vigor.
Entre os principais pontos do tratado está a eliminação gradual das tarifas de importação. A previsão é que os vinhos tranquilos, tintos, brancos e rosés, tenham a alíquota zerada em até oito anos, enquanto os espumantes devem alcançar a tarifa zero em até 12 anos, com reduções progressivas ao longo do período.

Atualmente, a importação de vinhos europeus para o Brasil está sujeita a uma taxa em torno de 27%, percentual que se multiplica ao longo da cadeia de distribuição e encarece o preço final ao consumidor. “Esse imposto inicial acaba gerando um impacto muito maior no valor final do vinho”, explica Marcelo Vargas, especialista em vinhos.
Segundo ele, a experiência com vinhos do Chile e da Argentina, favorecidos por acordos comerciais no Mercosul, ajuda a dimensionar o possível efeito da nova medida. “A queda da taxa de importação foi decisiva para o aumento do consumo desses vinhos no Brasil. A tendência é que algo semelhante ocorra com os europeus”, avalia.
Para a sommelière Mirella Fantinel (WSET 3), a redução das tarifas deve tornar os rótulos europeus mais competitivos no mercado brasileiro. “Com a eliminação gradual desses impostos, vinhos da Itália, França, Portugal e Espanha tendem a chegar ao consumidor com preços mais atrativos”, afirma.
O movimento já começa a ser acompanhado de perto pelas importadoras. Para Daniel Mistico, da Italy’s Wine Brasil, o acordo representa uma oportunidade de ampliar a diversidade e o acesso aos vinhos europeus. “A expectativa é que essa redução de custos se reflita em preços mais acessíveis e em um portfólio mais amplo para o consumidor”, diz.
Especialistas alertam, porém, que o novo cenário pode aumentar a pressão competitiva sobre o setor vitivinícola brasileiro, especialmente no segmento de vinhos finos. Ainda assim, a avaliação é de que o consumidor tende a ser o principal beneficiado. “Apesar de a implementação ser gradual, no médio prazo alguns rótulos podem registrar reduções de 20% a 50% no preço final”, afirma Mirella.
Para o setor, o acordo sinaliza uma reorganização do mercado. “O cenário vai mudar bastante. Quem se preparar melhor terá mais chances de aproveitar esse novo momento”, conclui Vargas.
Fonte: Conexão Press
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