
Com a chegada do verão europeu, os vinhos brancos voltam a ocupar um espaço de destaque nas cartas de bares, restaurantes e wine bars espalhados pelo continente. Neste ano, uma variedade específica tem chamado a atenção de sommeliers, produtores e consumidores: o Albariño. Originária da região da Galícia, no noroeste da Espanha, essa uva branca tem ganhado cada vez mais espaço também no norte de Portugal onde é chamada de Alvarinho e começa a se destacar em outros pontos do mapa, como Califórnia e Oregon, nos Estados Unidos.
O Albariño produz vinhos leves, frescos e altamente aromáticos. Sua principal característica é a acidez vibrante, que torna o vinho ideal para os dias quentes. Os aromas remetem a frutas cítricas, pêssego e flores brancas, enquanto o paladar costuma apresentar um final levemente salino, resultado da proximidade das vinhas com o oceano Atlântico. Esse toque mineral, muitas vezes descrito como lembrança da brisa do mar, é uma das marcas registradas da casta e ajuda a explicar por que ela vem sendo apelidada de “o vinho do mar”.

A região de Rías Baixas, na Galícia, é considerada o berço do Albariño. Ali, mais de 90% das vinhas brancas cultivadas pertencem a essa variedade, e o número de produtores interessados na uva não para de crescer. Recentemente, grandes nomes do vinho espanhol, como a tradicional bodega Vega Sicilia, anunciaram investimentos multimilionários na região, mirando na produção de Albariños voltados à exportação e ao consumo premium. No lado português, a sub-região de Monção e Melgaço, no Vale do Minho, é o principal polo do Alvarinho, com rótulos que costumam ter perfil semelhante, embora com variações sutis dependendo do estilo do produtor.
A tendência de consumo se explica, em parte, pela versatilidade do Albariño à mesa. Ele harmoniza bem com uma variedade de pratos leves, como ostras, frutos do mar, sushis, saladas frescas, queijos mais delicados e receitas com toques cítricos ou ervas frescas. Essa capacidade de acompanhar bem diferentes estilos de cozinha contribui para o crescimento da uva em mercados gastronômicos exigentes, como o francês, o italiano e o britânico.

Outro fator que impulsiona a popularidade da casta é seu apelo visual. O vinho costuma ter uma coloração amarelo-palha brilhante e límpida, o que o torna ainda mais atrativo, principalmente entre o público mais jovem. A aparência vibrante, combinada ao frescor e ao perfil aromático, transforma o Albariño em uma escolha natural para dias de calor intenso, tanto em jantares sofisticados quanto em piqueniques ou encontros informais ao ar livre.
A combinação entre tradição, frescor, elegância e autenticidade faz do Albariño uma das apostas mais fortes deste verão europeu. Seu sucesso reforça uma tendência mais ampla de valorização de vinhos brancos com identidade própria, menos óbvios e com maior ligação ao território de origem. Para quem busca algo novo, leve e gastronômico, o Albariño é, sem dúvida, uma excelente escolha.
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