
Na Itália, o termo “Novello” é usado para vinhos tintos muito jovens, elaborados e lançados no mesmo ano da colheita, pensados para serem consumidos imediatamente. Leves, frescos e repletos de fruta, eles oferecem uma experiência diferente dos vinhos tradicionais, valorizando a mesa e a companhia.
Inspirado pelo sucesso do Beaujolais Nouveau francês, o Novello nasceu nos anos 1970, mas ganhou um toque tipicamente italiano: menos marketing e mais convivência. É um vinho para comer, conversar e aquecer a estação.

A maior parte dos Novello é feita a partir da uva Sangiovese, mas cada região adiciona seu sotaque: Montepulciano no Abruzzo, Merlot no Veneto, Barbera no Piemonte. O segredo de seu frescor está na maceração carbônica, técnica que permite a fermentação dentro da própria uva, resultando em aromas intensos, pouca tanicidade e uma fruta quase “crocante”.
Em termos de sensações, o Novello oferece notas de cereja, framboesa, violeta e uva fresca, com acidez viva, corpo leve e taninos sutis, tornando a experiência de degustação extremamente agradável. Por isso, ele é ideal levemente resfriado, entre 12 e 14°C, e dispensa decantação: o charme está justamente na sua juventude.

Na mesa, combina com pratos simples e aconchegantes: pizza, charcutaria, queijos jovens, aves e castanhas. E na Itália, o vinho segue até um pequeno ritual anual: todo 6 de novembro ele chega às enotecas, bares e trattorias, marcando o início de sua temporada.
Mas atenção: Novello não é vinho para envelhecer. Seu frescor, aroma e intenção se mantêm do lançamento até cerca de março. Diferente do Beaujolais Nouveau, que é cercado de marketing e tradição global, o Novello é discreto, gastronômico e pensado para ser apreciado sem grandes eventos.
Se você encontrar um Novello, a dica é simples: não espere demais. Ele foi feito para acompanhar a estação, celebrar o momento e harmonizar com pratos que convidam ao conforto e à convivialidade.
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