
Na manhã de 15 de janeiro de 2026, a Polícia Federal (PF) e a Receita Federal deflagraram a Operação Sommelier, que investiga um esquema de descaminho de vinhos de alto valor comercial entre o Uruguai e o Brasil. A ação teve como foco a fronteira seca entre Santana do Livramento (RS) e Rivera, tradicional ponto de circulação de bebidas importadas.
Segundo a investigação, o grupo atuava de forma organizada: empresas sediadas em São Paulo enviavam recursos financeiros, operadores na fronteira adquiriam os vinhos no Uruguai e as mercadorias ingressavam no Brasil sem o pagamento de tributos. Parte do dinheiro circulava por meio de operações de câmbio ilegal, levantando indícios de lavagem de capitais.
Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, sendo três no Rio Grande do Sul e cinco em São Paulo, além do bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 220 milhões, entre imóveis, veículos e contas bancárias.
De acordo com as autoridades, vinhos finos são alvos frequentes desse tipo de crime por apresentarem alto valor agregado, facilidade de transporte e forte demanda no mercado brasileiro, especialmente em grandes centros consumidores. O descaminho gera prejuízos à cadeia legal do setor, afetando importadoras, distribuidores, lojistas, restaurantes e produtores.
A PF apreendeu documentos, equipamentos e registros que devem subsidiar o avanço das investigações, que seguem em andamento. As autoridades reforçam que descaminho se refere à entrada de produtos lícitos sem recolhimento de impostos, enquanto o contrabando envolve mercadorias proibidas.
Leia também: Don Romano destaca sabores leves para o verão





