Queijo Minas Artesanal vira Patrimônio da Humanidade

Os modos tradicionais de fazer o Queijo Minas Artesanal passaram a integrar oficialmente a lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, concedida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O reconhecimento foi aprovado em dezembro de 2024, durante reunião do Comitê Intergovernamental da entidade, realizada no Paraguai.

O título coloca o Brasil em destaque no cenário internacional da cultura alimentar. Ao contrário do que costuma acontecer quando se fala em queijos de prestígio mundial, geralmente associados a países europeus como França, Itália ou Suíça, o reconhecimento não foi concedido a um produto europeu, mas a uma tradição brasileira e mineira.

É importante destacar que a UNESCO não reconheceu apenas o queijo como produto final, mas sim os modos de fazer, ou seja, o conjunto de práticas, conhecimentos e saberes transmitidos de geração em geração por produtores de diferentes regiões de Minas Gerais. Trata-se de um patrimônio vivo, construído a partir da relação entre território, cultura e comunidade.

A tradição do Queijo Minas Artesanal tem mais de 300 anos de história e utiliza leite cru, técnicas próprias de produção e o chamado “pingo”, fermento natural retirado da produção anterior, responsável por características únicas de sabor, aroma e textura. Cada região produtora imprime identidade própria ao queijo, reforçando sua diversidade cultural.

O reconhecimento internacional marca um feito inédito: é o primeiro elemento brasileiro ligado diretamente à gastronomia a integrar a Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Antes disso, os modos de fazer do queijo já eram reconhecidos como patrimônio cultural em âmbito nacional.

Além do valor simbólico, a chancela internacional reforça a importância da preservação das práticas tradicionais, da agricultura familiar e do desenvolvimento sustentável das comunidades envolvidas na produção. Também amplia a visibilidade do queijo mineiro no Brasil e no exterior, fortalecendo sua identidade cultural e econômica.

Mais do que um alimento, o Queijo Minas Artesanal representa história, território e pertencimento. Um patrimônio brasileiro que agora ocupa lugar de destaque entre as expressões culturais reconhecidas mundialmente.

Fonte: UNESCO Brasil – Queijo mineiro integra a lista do Patrimônio Cultural Imaterial (2024)

Fotos: Fusqueijão

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Quem Sou

Sou Etienne Carvalho, jornalista, sommelier formada pela ABSRS e pela FISAR, com qualificação nível 3 WSET. Atualmente, atuo como diretora e professora da ABS-DF e sigo me aprofundando no mundo do vinho como estudante de Enologia. Apaixonada por vinhos, viagens, leitura e escrita, criei este espaço para compartilhar minhas experiências e descobertas com quem, assim como eu, acredita que o conhecimento e a paixão tornam cada taça ainda mais especial.

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