
A relação entre consumo de vinho e ganho de peso ainda gera dúvidas entre consumidores. Apesar da percepção comum de que a bebida seria um fator direto de aumento calórico, dados nutricionais e hábitos culturais indicam que o impacto do vinho, quando consumido com moderação, é limitado.

Em países europeus, o vinho é considerado alimento e integra a rotina alimentar, especialmente durante as refeições. Diferentemente do que ocorre no Brasil, a bebida não é tratada como um item recreativo isolado, mas como parte da cultura gastronômica e da convivência à mesa.
Do ponto de vista calórico, uma taça de vinho tinto de 150 mililitros possui, em média, 125 calorias. Considerando que a ingestão diária recomendada para adultos gira em torno de 2.000 calorias para mulheres e 2.500 para homens, o consumo de uma taça representa menos de 7% do total diário.
Outro ponto pouco considerado é o cálculo necessário para o ganho de gordura corporal. Para que o corpo acumule 1 quilo de gordura, são necessárias aproximadamente 7.700 calorias extras. Isso equivaleria ao consumo de cerca de 61 taças de vinho ou 12 garrafas inteiras, número que foge do padrão de consumo moderado.

Segundo nutricionistas, a associação entre vinho e ganho de peso ocorre, em grande parte, pelo contexto em que a bebida é consumida. Queijos, embutidos, massas e pratos ricos em gordura costumam acompanhar a taça e elevam significativamente o valor calórico da refeição.
Para efeito de comparação, 100 gramas de queijo podem ultrapassar 350 calorias, enquanto um prato de risoto chega a cerca de 870 calorias. Uma pizza de calabresa pode ultrapassar 2.300 calorias, número muito superior ao de uma taça de vinho.
O principal fator de atenção, no entanto, não está na caloria da bebida, mas no efeito do álcool sobre o comportamento alimentar. O consumo pode aumentar o apetite, reduzir o autocontrole e estimular o consumo automático de alimentos, muitas vezes sem percepção.
Especialistas recomendam algumas medidas para reduzir impactos: alimentar-se antes de beber, priorizar refeições equilibradas, manter hidratação adequada, consumir o vinho de forma lenta e dar preferência à qualidade em vez da quantidade.
Nesse contexto, o vinho deixa de ser o vilão e passa a ser compreendido como um elemento cultural e alimentar. O consenso entre especialistas é que o ganho de peso está associado ao exagero e não ao consumo moderado da bebida.
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