Cães farejadores ajudam a prevenir contaminação em vinhos

Cães Farejadores

Bouchonné, também conhecido como “defeito da rolha”, é um problema que atinge cerca de 5% das garrafas de vinho no mercado, algo equivalente a mais de 1 bilhão de recipientes a cada ano. Mas apesar da definição “defeito de rolha”, esse problema pode ser causado também por causa dos barris. Para resolver este problema, a empresa TN Coopers está usando três ferramentas revolucionárias para detectar e prevenir isso. São Elas: Ambrosia, Odyse e Moro. Estes são os nomes dos três cães farejadores da raça labrador usados para a detecção prévia desses contaminantes.

Projeto Natinga

A empresa estava determinada a desenvolver uma ferramenta para facilitar a detecção de compostos químicos nocivos na madeira, como por exemplo o TCA (2,4,6-tricloroanisol) e o TBA (2,4,6-tribromoanisol), e perceberam que seria preciso de uma ferramenta ultra sensível para ser efetivamente útil. Daí nasceu o projeto Natinga. “Eles são mais precisos e eficazes do que a tecnologia moderna”, declara Michael Peters, enólogo e gerente de vendas do escritório da TN Coopers em Sonoma, Califórnia, ao constatar que os cachorros eram mais eficientes do que aparelhos robóticos usados atualmente.

Os cães passaram por um estágio de socialização e reforço físico e se tornaram bem treinados em questões de detecção. Quando colocam o uniforme, a atitude muda imediatamente: vigilantes e alertas, correm pelas instalações, e quando chegam à fonte, dão um sinal claro de onde está a origem da contaminação. A vantagem do uso de cães para detectar o problema está na possibilidade de um monitoramento constante.

Cães farejadores trabalhando

Gosto de Rolha

O 2,4,6-tricloroanisol é um composto químico derivado do clorado do anisol que é utilizado como fungicida. O importante para nós é que isso é um dos responsáveis pelo “gosto de rolha” ou um cheiro de papelão úmido e mofado nos vinhos. Como dito anteriormente, apesar da descrição ser “gosto de rolha”, o problema não é exclusivo da cortiça. Também pode contaminar a madeira usada para aduelas de barris, mangueiras de plástico, bombas, tampas de silicone (usadas em barris de vinho), agentes clareadores e até mesmo infectar uma adega inteira.

Para se ter uma ideia da gravidade do problema, basta lembrar que em dezembro de 2018 a vinícola Opus One, em Napa valley, processou seus fornecedores em mais de US$ 471 mil dólares devido a contaminação de apenas 10 barris contendo TCA, comprometendo mais de 2.200 litros de seu Cabernet Sauvignon.

 

 

 

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Quem Sou

Sou Etienne Carvalho, jornalista, sommelier formada pela ABSRS e pela FISAR, com qualificação nível 3 WSET. Atualmente, atuo como diretora e professora da ABS-DF e sigo me aprofundando no mundo do vinho como estudante de Enologia. Apaixonada por vinhos, viagens, leitura e escrita, criei este espaço para compartilhar minhas experiências e descobertas com quem, assim como eu, acredita que o conhecimento e a paixão tornam cada taça ainda mais especial.

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