
O Brasil mudou de patamar no cenário global do vinho. Em apenas dois anos, as importações cresceram cerca de 20%, transformando o país em um dos mercados mais observados por produtores internacionais. E essa movimentação não fica restrita às planilhas do comércio exterior, ela chega direto à taça do consumidor.
Entre 2023 e 2025, o Brasil ampliou de forma consistente a compra de vinhos importados. Em 2023, o volume financeiro foi de US$ 468 milhões. Em 2024, subiu para US$ 525 milhões. Já em 2025, alcançou US$ 561 milhões. O avanço de US$ 93 milhões no período não indica apenas aumento de consumo, mas uma mudança clara de comportamento.
O crescimento não ocorreu apenas em valor. A quantidade importada também subiu, passando de 145 milhões para 166 milhões de quilos. Isso significa que o brasileiro não está apenas migrando para rótulos mais caros, ele está, de fato, consumindo mais vinho.
América do Sul lidera, mas Europa avança

Em 2025, o ranking dos principais fornecedores mostra a força da América do Sul. O Chile lidera com US$ 213 milhões, seguido pela Argentina, com US$ 101 milhões, e por Portugal, com US$ 84 milhões. Preço competitivo, estilo fácil e forte presença no varejo ajudam a explicar essa liderança consolidada.
Mas a principal transformação não está em quem já domina, e sim em quem está crescendo.
A Europa voltou a ganhar espaço. Portugal segue como o europeu mais consolidado, com boa adaptação ao paladar brasileiro e relação qualidade-preço atrativa. Para muitos consumidores, é a porta de entrada para explorar novos estilos.
A França registrou a maior alta recente, sinalizando um movimento de premiumização. O consumidor brasileiro não está bebendo menos vinho, está bebendo melhor.
A Itália também chama atenção. Cresce de forma contínua, ultrapassou a Espanha e se aproximou da França. Não se trata de uma tendência passageira, mas de construção estratégica de mercado. Produtores italianos vêm trabalhando o Brasil de maneira consistente.
A Espanha, por sua vez, apresentou queda em 2024 e retomada em 2025, ainda com participação menor. O desafio, nesse caso, parece estar mais no posicionamento comercial do que na qualidade dos vinhos.
Um novo perfil de consumidor

Os dados revelam uma mudança estrutural. O Brasil deixou de ser apenas consumidor de rótulos conhecidos e consolidados. Surge um perfil mais curioso, explorador, aberto a novas regiões, uvas e estilos.
Essa transformação já é perceptível nas prateleiras e cartas de vinho. A oferta se diversificou, as faixas de preço se ampliaram e o acesso a diferentes origens ficou mais democrático.
O Brasil deixou de ser visto apenas como mercado emergente. Hoje, é estratégico. E quando isso acontece, o mundo do vinho passa a olhar com atenção redobrada para o que está sendo servido aqui.
Fonte: Ministério da Agricultura – Importações brasileiras de vinho (2023–2025).
Leia também: Novo movimento italiano: vinhos ampliam presença no Brasil





