

Saramago considerou que mesmo diante do cenário econômico brasileiro, dos altos impostos e, consequentemente, da “prática de preços absurdos no Brasil”, o vinho português ainda tem se mostrado a melhor alternativa para quem procura aliar preço e qualidade.

Ilógico 2014
Para ratificar o que disse, iniciou a degustação servindo o Ilógico. Vinho simples, elaborado a partir das uvas Trincadeira e Aragonêz, colhidas no Alentejo, que segundo ele é o “Novo Mundo de Portugal”, por produzir vinhos fáceis de beber. Para mim, particularmente, o Ilógico representa isso mesmo, por ser leve, frutado (com alguns traços minerais), de média intensidade e muito fácil de agradar. É vendido no Brasil por R$70 em média. A Vinissimo Importadora é a responsável por trazer os vinhos de Saramago para o Brasil.

Risco 2013
Na sequência, degustamos o Risco 2013, feito na região da Península de Setúbal, 100% com a sensível uva Castelão. Um vinho fresco, bem equilibrado com boa persistência. Apresentou muitas frutas vermelhas tanto no nariz como na boca. A esposa de António Saramago, que estava ao meu lado na degustação, me confidenciou que havia sido esse o vinho escolhido pelo casal para acompanhar o almoço do dia o delicioso bacalhau preparado pelo Chef Francisco Ansiliero, no Dom Francisco da Asbac. Nas lojas é possível encontrá-lo a R$90.

António Saramago Winemaker 2013
cor rubi e com reflexos violáceos, o terceiro vinho da degustação, o António Saramago Winemaker 2013, também da Península de Setúbal, me agradou muitíssimo. Para mim, foi o melhor. Feito também com 100% com a Castelão, mas amadurecido em barricas, se mostrou mais complexo que o anterior e deu um salto no quesito qualidade. Uma mistura expressiva de groselhas, toques terrosos, violetas e especiarias. Bem concentrado e persistente, mas sem perder a elegância. Meu favorito. Preço médio no Brasil R$153. Vale a compra!

Risco Reserva 2013
O quarto vinho degustado foi o Risco Reserva 2013, também da Península de Setúbal. Este, um corte de Alicant Bouschet, Castelão, Cabernet Sauvignon e Trincadeira. Para mim: explosão de frutas maduras com leves toques tostados. Taninos macios e persistência média. No Brasil, infelizmente, é vendido a R$140. Acho que poderia ser mais barato pela ausência de complexidade. Persistência média.

António Saramago Reserva 2009
Para encerrar a degustação com chave de ouro, foi servido o ícone António Saramago Reserva 2009. O que dizer desse vinho? Sem dúvidas, excelente. Complexo, bem estruturado, com taninos macios e acidez ajustada. Equilibrado e expressivo ao mesmo tempo. Amadureceu 14 meses em barricas de carvalho francês e americana. Para quem gosta de vinhos com um certo adocicado no final, ele é perfeito. Acredito que seja decorrente das frutas vermelhas um pouco maduras, mas bem expressivas, misturadas com os toques de baunilha da barrica americana. Persistência longa. Custa R$230 aqui no Brasil.

António Saramago – Formado pela Universidade de Bordeaux, com cinquenta anos de atuação na vitivinicultura de Portugal, Saramago é um famoso enólogo português que em seu portfolio tem, entre muitos projetos, os celebrados Tapada de Coelheiros. É também um dos responsáveis pela renovação dos vinhos do Alentejo, apontado como um dos maiores conhecedores da Moscatel de Setúbal, com a qual se elabora o emblemático vinho fortificado da Península de Setúbal, e é também conhecido como o “Mestre da Castelão”, uma das mais conhecidas e nobres uvas tintas portuguesas. Em Portugal, António Saramago produz nas regiões da Península de Setúbal e do Alentejo. Também atua como consultor de várias vinícolas, como a Villagio Grando aqui no Brasil.

Fotos
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