
Um país quer declarar oficialmente a cozinha como arte, e isso pode mudar mais do que parece. A proposta, divulgada pela Revista Buen Gusto, informa que o Ministério da Cultura da Dinamarca estuda reconhecer a gastronomia como disciplina artística.
A gastronomia sempre foi entendida como expressão cultural. Patrimônio, identidade, tradição e memória fazem parte da construção culinária de um povo, e isso nunca esteve em discussão. O que a proposta dinamarquesa traz é outra camada: o reconhecimento institucional da cozinha no mesmo nível de áreas como música, teatro, dança e artes visuais, ou seja, como arte oficialmente reconhecida pelo Estado.

Na prática, a mudança não seria apenas simbólica. O enquadramento como disciplina artística pode permitir acesso a financiamento público, incentivo à pesquisa criativa e políticas de fomento cultural. Nesse contexto, o chef passaria a existir juridicamente como artista.
O debate também atravessa um campo mais filosófico. Se um pintor trabalha com tinta e um músico com som, o chef trabalha com percepção. A discussão deixa de ser se a gastronomia é cultura, consenso já estabelecido, e passa a ser se a experiência sensorial pode ser compreendida como forma de arte.
Há ainda uma questão ligada à memória. Museus preservam quadros e esculturas, mas sabores são, por natureza, efêmeros. Reconhecer a cozinha como arte também altera a lógica de preservação cultural, ampliando o entendimento sobre o que merece ser registrado e protegido.
A proposta abre espaço para uma reflexão mais ampla sobre o lugar da gastronomia na sociedade contemporânea, e sobre como os Estados definem, oficialmente, o que é arte.
Fonte: Revista Buen Gusto – proposta do Ministério da Cultura da Dinamarca para reconhecer a gastronomia como disciplina artística (buengusto.co)
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