Menos vinhedos e menos hectares: o alerta do vinho argentino

A vitivinicultura argentina enfrenta um momento de transformação. Dados recentes apontam para uma redução significativa tanto na área plantada quanto no número de produtores, levantando questionamentos sobre o futuro de um dos setores mais emblemáticos da economia agrícola do país.

De acordo com o Instituto Nacional de Vitivinicultura (INV), a área de vinhedos na Argentina caiu de aproximadamente 223 mil hectares, em 2014, para cerca de 196 mil hectares em 2024. Em uma década, o país perdeu mais de 27 mil hectares de cultivo, além de 3.763 vinhedos, evidenciando uma retração consistente da atividade.

A diminuição não se limita ao campo. O número de produtores também encolheu, especialmente entre os pequenos viticultores. Pressionados por fatores como aumento de custos, inflação elevada, baixa rentabilidade e dificuldades de exportação, muitos deixaram a atividade, contribuindo para a concentração do setor.

Outro ponto de atenção é a queda no consumo interno. O mercado doméstico, historicamente relevante para a sustentação da produção, perdeu força ao longo das últimas décadas. Atualmente, o consumo per capita é menos da metade do registrado nos anos 1980, impactando diretamente a dinâmica de vendas no país.

Enquanto a demanda interna recua, os custos de produção seguem em alta. Despesas com energia, logística, insumos agrícolas e a instabilidade cambial têm comprimido as margens dos produtores, tornando o cenário ainda mais desafiador.

As condições climáticas também têm desempenhado um papel importante. Eventos extremos, como ondas de calor, geadas tardias e períodos prolongados de seca, têm afetado tanto o rendimento quanto a qualidade das safras, aumentando a incerteza no campo.

Apesar das dificuldades, a Argentina mantém sua posição de destaque no cenário internacional, especialmente pela qualidade de seus vinhos. Rótulos de Malbec de altitude, produções em regiões de clima frio e o surgimento de novas áreas vitivinícolas continuam a reforçar a reputação do país no mercado global.

Diante desse cenário, especialistas apontam que o setor não está apenas encolhendo, mas passando por um processo de reestruturação. A redução no número de vinhedos e na área plantada pode indicar uma mudança de foco, com maior ênfase na qualidade e na competitividade.

A vitivinicultura argentina, portanto, vive um momento de ajustes profundos. Compreender essas transformações é fundamental para entender os rumos do vinho na América do Sul nos próximos anos.

Fonte: INV Argentina, Observatorio Vitivinícola Argentino, OIV, Infocampo Argentina
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Quem Sou

Sou Etienne Carvalho, jornalista, sommelier formada pela ABSRS e pela FISAR, com qualificação nível 3 WSET. Atualmente, atuo como diretora e professora da ABS-DF e sigo me aprofundando no mundo do vinho como estudante de Enologia. Apaixonada por vinhos, viagens, leitura e escrita, criei este espaço para compartilhar minhas experiências e descobertas com quem, assim como eu, acredita que o conhecimento e a paixão tornam cada taça ainda mais especial.

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