
A safra de 2026 marca uma mudança relevante no cenário da vitivinicultura brasileira. Enquanto a Serra Gaúcha enfrentou condições climáticas mais desafiadoras, a Serra do Sudeste, com destaque para Encruzilhada do Sul, registrou maior volume e qualidade de uvas, além de uma vindima prolongada que se estende até o fim de março e início de abril.
Tradicionalmente, a colheita de uvas no sul do país ocorre entre meados de janeiro e o início de março, período considerado ideal para a maturação fenólica, responsável por definir níveis adequados de açúcar, cor e taninos. Em 2026, no entanto, as condições climáticas favoreceram um amadurecimento mais lento e completo, permitindo a extensão da colheita.
Segundo a vinícola Lidio Carraro, a safra atual está entre as mais equilibradas dos últimos anos. De acordo com o diretor-comercial Juliano Carraro, temperaturas mais amenas, especialmente durante a noite, e maior amplitude térmica contribuíram para um desenvolvimento mais uniforme das uvas.
Atualmente, a colheita avança com variedades como Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Malbec e Cabernet Franc. Parte dos vinhedos ainda permanece em campo e deve ser colhida ao longo das próximas semanas, respeitando o ponto ideal de maturação de cada casta.

Além do amadurecimento pleno, a safra também se destaca pela alta concentração das uvas. Conforme explica o enólogo e diretor técnico Giovanni Carraro, os frutos apresentam elevados índices de polifenóis e açúcares, resultando em vinhos equilibrados, com boa relação entre potência, álcool e acidez, características essenciais para rótulos de alta gama e com potencial de envelhecimento.
As condições climáticas ao longo do ciclo foram determinantes para o desempenho positivo. Chuvas no início favoreceram uma brotação vigorosa e uniforme, enquanto o clima estável durante a floração garantiu boa formação dos cachos. Já o período de estiagem, aliado à grande amplitude térmica, contribuiu para a produção de bagas menores, mais concentradas e com alta sanidade.
Mesmo com registros pontuais de granizo em algumas regiões do estado, os vinhedos da Lidio Carraro não foram afetados. Na Serra do Sudeste, o fenômeno ocorreu de forma isolada e, nas áreas da vinícola, não houve incidência significativa, também devido ao uso de sistemas de proteção.
O desempenho da Serra do Sudeste em 2026 reforça uma tendência observada nos últimos anos: a região se consolida como uma alternativa consistente à Serra Gaúcha, especialmente na produção de vinhos tintos estruturados. Com clima mais seco, maior amplitude térmica e ciclos mais previsíveis, Encruzilhada do Sul tem se destacado pela regularidade e qualidade, atributos cada vez mais valorizados na produção de vinhos de identidade e longevidade.
Fonte: Luciano da Harmoniza
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