
Nesta semana, foi realizado o quarto encontro da Confraria Videira, iniciativa idealizada pelo empresário Marcos Rachelle, proprietário da Videira Vinhos. O encontro foi realizado no Palomina Wine Bar, em Brasília, e reuniu um grupo seleto de 12 participantes, entre sommeliers, proprietários de restaurantes e profissionais ligados ao universo do vinho.
A proposta da confraria é tão simples quanto desafiadora: proporcionar aos participantes a oportunidade de degustar rótulos premium às cegas, desenvolvendo a percepção sensorial, ampliando o repertório e estimulando a troca de conhecimentos entre profissionais que atuam diretamente no mercado brasiliense.

“Mais do que apresentar grandes vinhos, a iniciativa busca aprimorar o olhar técnico dos participantes e fortalecer a cultura do vinho na capital federal”, revela Rachelle. Para isso, ele limitou o grupo a apenas 14 integrantes, o que torna as degustações mais dinâmicas e permite discussões mais aprofundadas. Quando algum participante não pode comparecer, outro profissional do setor é convidado para ocupar a vaga.
A cada encontro, um novo tema é explorado e são degustados cerca de cinco ou seis vinhos premium. Entre as edições anteriores, já foram realizadas degustações dedicadas a Pouilly-Fumé versus Pouilly-Fuissé, além de outros grandes clássicos do universo vitivinícola. A próxima reunião, marcada para agosto, terá como tema os diferentes estilos de Alvarinho produzidos em diversas regiões do mundo.
Argentina versus Chile e uma surpresa espanhola

O desafio desta edição colocou frente a frente dois representantes argentinos e dois chilenos, além de um quinto vinho, cuja origem permaneceu como um mistério até o fim da degustação.
Os participantes analisaram os vinhos sem conhecer os rótulos e tiveram de identificar as variedades, as origens e as características de cada exemplar. O resultado demonstrou o alto nível do desafio: embora muitos tenham acertado dois ou três rótulos, ninguém conseguiu gabaritar a prova.
Os vinhos degustados foram:

* Tatay de Cristóbal Carménère 2017 (Chile);
* Misma Luna, da região de Almansa (Espanha);
* Nicolás Catena Zapata 2020 (Argentina);
* Clos Apalta 2020 (Chile);
* Mai Malbec 2021, da Kaiken (Argentina).
Entre os destaques, o Clos Apalta apresentou complexidade aromática, revelou notas de frutas negras maduras, especiarias, tabaco, toque de madeira e o herbáceo característico de muitos vinhos chilenos. Por conta dessa última característica quase todo mundo acertou a sua procedência. O Nicolás Catena Zapata, por sua vez, apresentou grande equilíbrio entre potência e frescor, enquanto o Tatay de Cristóbal por ter 10 anos evidenciou notas terciárias e mostrou toda a personalidade da Carménère chilena um pouco mais antiga, algo que confundiu grande parte dos participantes que imaginaram ser esse o vinho do país surpresa.
O espanhol Misma Luna – que era a surpresa – também confundiu os participantes com seu dulçor e potência, que muitos associaram ao Malbec, reforçando uma das premissas da confraria: no universo das degustações às cegas, o conhecimento é essencial, mas a capacidade de se deixar surpreender é igualmente importante.
O desafio entre Barolo e Pinot Noir

A terceira edição da Confraria Videira foi realizada no mês passado, na residência do sommelier Flávio Vieira, no Jardim Botânico, o encontro teve como tema um dos confrontos mais interessantes do mundo do vinho: Barolo versus Pinot Noir.
A experiência reforçou uma das principais características das degustações às cegas: a capacidade de surpreender até mesmo os profissionais mais experientes. Muitas vezes, aquilo que parece óbvio se transforma em dúvida diante da taça. Sem a influência do rótulo, da região de origem e do preço, a atenção se volta exclusivamente para o vinho.

E é justamente esse o espírito da Confraria Videira. A iniciativa não foi criada para determinar quem sabe mais, mas para promover a troca de experiências, ampliar o repertório dos profissionais e incentivar o aprendizado contínuo. Em uma cidade onde a cultura do vinho se desenvolve a cada ano, projetos como esse ajudam a fortalecer o mercado e a elevar o nível do conhecimento sobre a bebida. Parabéns, Marcos Rachelle pela iniciativa!!!!
Leia também: Wine Garden retoma origens e reforça posição como wine bar em taças





