Roubo de vinho envolve disfarces e fuga internacional

Um caso inusitado envolvendo vinhos raríssimos da Borgonha, nos Estados Unidos, chamou atenção do mercado de luxo e de autoridades policiais. Uma dupla formada por uma mulher britânica e um homem sérvio é acusada de arquitetar o roubo de duas garrafas de alto valor em um restaurante de luxo na Virgínia.

O episódio envolveu o desaparecimento de um Romanée-Conti 2020, avaliado em aproximadamente US$ 24 mil, e de um Richebourg 2019, estimado em cerca de US$ 7 mil. Ambos pertencem à prestigiada Domaine de la Romanée-Conti, uma das produtoras mais icônicas e exclusivas do mundo do vinho.

Segundo informações reunidas por investigadores e relatadas por autoridades norte-americanas, os suspeitos teriam chegado ao restaurante sob o pretexto de organizar um jantar privado de alto padrão. A proposta, que inicialmente parecia uma negociação legítima, teria servido como fachada para acessar a adega do estabelecimento.

O plano, de acordo com a investigação, teria sido cuidadosamente elaborado. A mulher teria utilizado identidade falsa, enquanto ambos teriam recorrido a disfarces, incluindo perucas. O homem ainda usava um sobretudo adaptado com bolsos secretos, o que teria facilitado a ocultação das garrafas durante a ação.

O momento do furto teria ocorrido durante a apresentação da adega aos supostos clientes. Imagens de segurança indicam a movimentação da dupla dentro da cave do restaurante, reforçando a suspeita de que o acesso ao estoque fazia parte da estratégia do golpe.

Após o crime, a mulher foi detida pelas autoridades. Já o homem conseguiu deixar o local, fugindo em um veículo e, posteriormente, embarcando para Viena, na Áustria, onde permanece foragido.

O caso ganhou novos contornos 145 dias depois, quando as garrafas foram devolvidas de forma anônima a um escritório ligado à defesa do caso. Segundo relatos, um homem com sotaque do Leste Europeu teria deixado os vinhos no local, sem se identificar.

Apesar da recuperação dos rótulos, especialistas apontam que o caso não está encerrado. No mercado de vinhos raros, fatores como procedência, temperatura de armazenamento e integridade da cadeia de custódia são determinantes para o valor de uma garrafa. Qualquer interrupção nesse processo pode comprometer significativamente a avaliação comercial do produto.

Agora, permanece a dúvida entre colecionadores e especialistas: os vinhos mantiveram suas características originais após quase cinco meses fora de controle adequado? E, mais importante, um Romanée-Conti sem histórico confiável ainda pode sustentar seu valor original de mercado?

O caso segue sendo investigado e levanta discussões sobre segurança em adegas de alto padrão e o crescente mercado global de vinhos de luxo.

Fonte: The Washington Post

Fotos: L’Auberge Procençale 

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Quem Sou

Sou Etienne Carvalho, jornalista, sommelier formada pela ABSRS e pela FISAR, com qualificação nível 3 WSET. Atualmente, atuo como diretora e professora da ABS-DF e sigo me aprofundando no mundo do vinho como estudante de Enologia. Apaixonada por vinhos, viagens, leitura e escrita, criei este espaço para compartilhar minhas experiências e descobertas com quem, assim como eu, acredita que o conhecimento e a paixão tornam cada taça ainda mais especial.

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