Maravilhosos Vinhos dos Alpes são apresentados pela Mistral

Participei de um jantar-degustação no restaurante Piselli em Brasília, promovido pela Mistral, dedicado aos vinhos da Alois Lageder, uma das referências do Alto Adige, no norte da Itália. O encontro contou com a presença de João Batista, gerente da Mistral, e de Christian Pisetta, gerente comercial da Alois Lageder, que veio da Itália para apresentar os vinhos e compartilhar um pouco da filosofia da vinícola.

Um dos pontos mais interessantes da apresentação foi justamente entender o conceito de vinho alpino defendido pela Alois Lageder. Os Alpes exercem enorme influência sobre o Alto Adige e ajudam a criar vinhos marcados por frescor, tensão, toque mineral,salinidade e equilíbrio, características que a vinícola procura preservar também por meio de graduações alcoólicas mais contidas.

Durante o jantar provamos cinco rótulos: COR Römigberg 2019, Pinot Noir 2022, GAUN Chardonnay 2023, PORER Pinot Grigio 2021 e Pinot Grigio 2023, acompanhando o menu preparado pelo Piselli.

Dois vinhos se destacaram especialmente para mim. O PORER Pinot Grigio 2021 mostra como essa uva pode alcançar uma expressão muito mais complexa. Ele combina aço inox e grandes foudres de madeira, além de diferentes tempos de contato com as cascas. Depois, essas parcelas são reunidas, quase como um chef trabalhando diferentes ingredientes para chegar ao resultado final. O vinho ganha mais textura, estrutura e caráter fenólico, sem perder aquilo que define o estilo alpino: frescor, tensão e salinidade. Foi uma interpretação de Pinot Grigio que me chamou muito a atenção. Na verdade, uma verdadeira aula de como Terroir e boa vinificação devem andar juntos. Preço médio R$540,00.

Meu outro grande destaque foi o COR Römigberg 2019, um vinho tinto espetacular dentro da degustação. Mais profundo e complexo, mostrou estrutura, concentração e elegância, mas mantendo equilíbrio e frescor. Também me chamou atenção por ser feito basicamente de Cabernet Sauvignon e estar maduro, sem resquício de herbáceo que tanto me incomoda. As notas de frutas maduras vieram acompanhas de uma pimenta negra. É um vinho com maior densidade e persistência, daqueles que evoluem na taça e convidam a beber com atenção. Ah! Detalhe leva uma pequena percentagem de Petit Verdot. Vinhaço que não é barato, custa em torno de R$1000,00 aqui no Brasil.

Foi uma experiência muito interessante para conhecer não apenas os vinhos da Alois Lageder, mas principalmente compreender a identidade do Alto Adige e a influência dos Alpes na viticultura. No fim, o conceito apresentado durante o jantar ficou muito claro na taça: vinhos de altitude, frescos, minerais, tensos, salinos e com personalidade própria. E, entre todos, PORER e COR foram os meus favoritos da noite.

 

Leia também: 34ª Brasília Restaurant Week celebra gastronomia brasileira

Comentários
Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Quem Sou

Sou Etienne Carvalho, jornalista, sommelier formada pela ABSRS e pela FISAR, com qualificação nível 3 WSET. Atualmente, atuo como diretora e professora da ABS-DF e sigo me aprofundando no mundo do vinho como estudante de Enologia. Apaixonada por vinhos, viagens, leitura e escrita, criei este espaço para compartilhar minhas experiências e descobertas com quem, assim como eu, acredita que o conhecimento e a paixão tornam cada taça ainda mais especial.

Categorias

Veja Também

Ticiana Werner celebra 18 anos com menu especial de aniversário

O Ticiana Werner Restaurant & Wine Bar completa 18 anos e marca a data com…

Mané Mercado amplia menu com linha de shakes proteicos

SHAKENÉ reúne opções com alto teor de proteína, além de smoothies sem adição de proteína…

Aroma apresenta novo menu com 25 pratos

Restaurante da 407 Sul inicia nova fase com cardápio autoral, ambientes renovados, carta de vinhos…

Corrientes 348 retorna a Brasília com nova unidade

Casa de carnes premiada retorna à capital com operação própria no Partage Lago Sul Shopping…