
Foi lançado em Brasília o Selo Nacional da Cachaça de Alambique, iniciativa que busca ampliar a transparência, a segurança e a valorização da tradicional bebida brasileira. O anúncio ocorreu durante a 3ª edição do Festival da Cachaça de Brasília.
Desenvolvido pela Associação Nacional da Cachaça de Alambique (Anpaq), o selo tem como objetivo identificar a origem, garantir a autenticidade e valorizar os métodos tradicionais de produção da cachaça de alambique.
A criação da certificação ganhou força em meio às discussões do setor sobre a necessidade de maior controle de origem e rastreabilidade das bebidas alcoólicas, especialmente após a crise envolvendo casos de contaminação por metanol, que gerou insegurança entre consumidores e reforçou a importância de mecanismos de diferenciação no mercado.
O debate começou em outubro do ano passado, durante a participação da Anpaq no Festival Curicaca, realizado na Arena Mané Garrincha, em Brasília. Na ocasião, o setor já discutia alternativas para distinguir produtores regulares e produtos com origem comprovada.
Nesse contexto, ganhou força a proposta de criação de um selo nacional específico para a cachaça de alambique, com foco em identificar produtor, origem, autenticidade e valorizar boas práticas de fabricação regulamentadas pelo MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária).

Segundo o presidente da Anpaq, Sérgio Maciel, o selo busca dar mais transparência ao consumidor e valorizar os produtores tradicionais. “O selo nasce para mostrar ao consumidor exatamente o que ele está comprando. Queremos dar visibilidade aos produtores que preservam a tradição da cachaça de alambique, além de oferecer uma garantia adicional de autenticidade e procedência”, afirmou.
Para a organizadora do Festival da Cachaça de Brasília, Edilane Oliveira, o lançamento dentro do evento reforça o papel do festival como espaço estratégico para o setor. Ela destaca que a iniciativa aproxima produtores, consumidores e poder público, além de fortalecer o ambiente de negócios e o debate sobre a cadeia produtiva.
O selo certifica bebidas produzidas em alambique de cobre, com destilação em bateladas e separação das frações da cachaça, cabeça, coração e cauda, processo que preserva características regionais e sensoriais da bebida. Cada produtor contará com um QR Code próprio e um código serial exclusivo, permitindo ao consumidor acessar informações sobre origem, produção e autenticidade.
A iniciativa foi apresentada em abril deste ano na Universidade Federal de Lavras (UFLA), durante o III Simpósio Brasileiro da Cachaça, uma das principais referências em pesquisa sobre o tema. Agora, chega ao mercado como ferramenta de fortalecimento da competitividade do setor, ampliação da confiança do consumidor e valorização das marcas certificadas.

O lançamento ocorre em um momento de expansão da cadeia produtiva da cachaça no país, com aumento no número de produtores e rótulos, além da crescente demanda por produtos artesanais, com origem comprovada e identidade regional.
Para a Anpaq, mais do que um selo de qualidade, a iniciativa representa uma ação de proteção ao patrimônio cultural brasileiro, fortalecimento da imagem da cachaça de alambique e incentivo à profissionalização do setor.
Mais do que uma certificação, o selo simboliza um compromisso com autenticidade, transparência e valorização da cachaça de alambique brasileira.
Fonte: Verso Comunicação
Crédito da foto: Robinson Jamal
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