
Os vinhos produzidos nas encostas do Monte Etna, na Sicília, vêm conquistando cada vez mais espaço entre críticos, sommeliers e apreciadores ao redor do mundo. A combinação entre solos vulcânicos, vinhas antigas e castas tradicionais faz da região um dos terroirs mais singulares da vitivinicultura, reunindo rótulos reconhecidos pela mineralidade, elegância e identidade.
No Brasil, o inverno também cria um cenário favorável para apreciar esses vinhos. Diferentemente do que acontece em grande parte do hemisfério norte, a estação é marcada por temperaturas mais amenas, céus limpos e um clima que convida a encontros à mesa, conversas mais longas e escolhas cuidadosas na taça.
É nesse contexto que os vinhos do Etna ganham destaque. Apesar de não serem vinhos pesados ou excessivamente potentes, apresentam profundidade sensorial, mineralidade marcante e elegância estrutural, características que harmonizam com o ritmo mais contemplativo que costuma acompanhar o inverno brasileiro.
Além disso, os rótulos da região estão em evidência no cenário internacional. Críticos, sommeliers e apreciadores de diferentes países têm voltado a atenção para as encostas do vulcão mais ativo da Europa, reconhecendo a qualidade e a singularidade dos vinhos produzidos no local.
O terroir do Etna
O Monte Etna exerce influência direta na identidade dos vinhos produzidos na região. Os solos formados por basalto, cinzas vulcânicas e lapilli são pobres em nutrientes, obrigando as videiras a desenvolver raízes profundas em busca de água e minerais. Esse processo contribui para a formação de uvas de grande complexidade.
A excelente drenagem, o calor irradiado pelas rochas escuras durante a noite e a mineralidade característica, com notas que remetem à pedra molhada, grafite e uma elegante salinidade, criam condições consideradas únicas para a produção de vinhos.
Entre as variedades cultivadas estão Carricante, Nerello Mascalese e Nerello Cappuccio, uvas que encontram no Etna sua expressão mais característica. Muitas das videiras possuem entre 60 e 80 anos de idade e são conduzidas pelo tradicional sistema Alberello, permanecendo baixas, próximas ao solo e sem suportes, adaptadas aos ventos e às constantes transformações provocadas pelo vulcão ao longo das décadas.
Cinco rótulos selecionados pela World Wine
A World Wine reuniu cinco vinhos produzidos pelas tradicionais vinícolas Alta Mora e Donnafugata, representantes da vitivinicultura do Etna.
Alta Mora Etna Bianco

Uva: Carricante
Origem: Etna, Sicília – Itália
Preço sugerido: R$ 279,00
Elaborado com estágio sur lie de seis meses, o vinho apresenta maior estrutura, cremosidade e uma mineralidade vibrante. Possui coloração amarelo-palha com reflexos esverdeados e um frescor que surpreende para um vinho produzido na região do Mediterrâneo.
Harmonização: frutos do mar gratinados, bacalhau à Brás, risoto de camarão, aves assadas e queijos amarelos de média cura.
Segundo a World Wine, a intensa mineralidade funciona como contraponto para pratos mais cremosos, proporcionando equilíbrio ao paladar durante a refeição.
Donnafugata Sul Vulcano Etna Bianco

Uva: Carricante
Origem: Etna, Sicília – Itália
Preço sugerido: R$ 426,55
Neste rótulo, parte do vinho amadurece durante dez meses em barricas de carvalho de segundo e terceiro uso, seguida por doze meses de envelhecimento em garrafa. O resultado é um branco complexo, persistente e com diferentes camadas aromáticas.
Harmonização: peixe assado com ervas, aves com molho cremoso, burrata com azeite trufado e queijos amarelos.
De acordo com a seleção da World Wine, trata-se de um vinho que combina profundidade e frescor, sendo uma opção para acompanhar o início de grandes refeições.
Donnafugata Sul Vulcano Etna Rosso

Uvas: Nerello Mascalese e Nerello Cappuccio
Origem: Etna, Sicília – Itália
Preço sugerido: R$ 407,55
Comparado ao Pinot Noir pela leveza da cor e pela fineza dos taninos, o vinho é produzido com uvas provenientes de vinhedos localizados na face norte do vulcão, onde a maturação ocorre de forma mais lenta, favorecendo a mineralidade. O estágio de 14 meses em carvalho francês contribui para a estrutura do vinho sem sobrepor as características da fruta.
Harmonização: costeleta de cordeiro ao alecrim, carnes vermelhas grelhadas com cogumelos, filé suíno, embutidos artesanais e queijos duros.
Segundo a importadora, trata-se de um vinho que evolui na taça ao longo da degustação, revelando novas camadas aromáticas.
Alta Mora Feudo di Mezzo

Uva: Nerello Mascalese
Origem: Etna, Sicília – Itália
Preço sugerido: R$ 568,10
Produzido a partir de uma única parcela de aproximadamente três hectares, com vinhas de cerca de 80 anos, o Alta Mora Feudo di Mezzo permanece dezoito meses em carvalho francês, entre botti e barricas.
Com produção inferior a 5 mil garrafas, o rótulo representa uma expressão específica do terroir do Etna.
Harmonização: ragù de javali, massas com molho de carne de longa cocção, carnes assadas e queijos maturados.
A recomendação é decantar o vinho antes do consumo para favorecer a expressão de suas diferentes camadas aromáticas.
Alta Mora Guardiola

Uva: Nerello Mascalese
Origem: Etna, Sicília – Itália
Preço sugerido: R$ 588,05
Produzido exclusivamente na vinha Guardiola, um Single Vineyard cultivado pelo sistema Alberello, este rótulo é elaborado a partir de videiras com aproximadamente 60 anos de idade. A combinação entre taninos finos e mineralidade é uma das principais características do vinho.
Harmonização: carnes com molho de cogumelos e trufas, costeleta de cordeiro, fondue de queijo e queijos maturados.
Segundo a World Wine, trata-se de um vinho cuja complexidade se revela gradualmente durante a degustação.
Sobre os produtores
A Alta Mora é uma vinícola dedicada exclusivamente ao terroir do Etna e é reconhecida internacionalmente pela precisão, mineralidade e autenticidade de seus vinhos. A marca é considerada uma referência da nova geração de rótulos sicilianos.
Já a Donnafugata está entre as vinícolas mais tradicionais da Sicília. A linha Sul Vulcano representa o compromisso da empresa com a valorização do Etna como um dos grandes terroirs do mundo, reunindo vinhos marcados pela elegância, identidade e expressão do território.
Sobre a World Wine
Fundada em 1999, a World Wine é o braço de vinhos premium e de luxo do Grupo La Pastina. A empresa reúne um portfólio com mais de 450 produtores e cerca de 270 marcas exclusivas de 17 países, destacando-se como uma das principais importadoras de vinhos franceses premium no Brasil.
A operação conta com 20 lojas próprias, cobertura nacional por meio de representantes e e-commerce, além de um centro de distribuição climatizado com padrão internacional. A empresa também atua na curadoria de rótulos, na formação de mercado e na promoção da cultura do vinho no país.
Leia também: Iêda Dias lança e-book sobre harmonização de vinhos





