Michelin: muitas opções, poucas surpresas

Uma análise realizada pela jornalista especializada em vinhos Sara Danese, autora da newsletter In the Mood for Wine, avaliou 1.063 cartas de vinhos de restaurantes Michelin ao redor do mundo para responder a uma pergunta: os melhores restaurantes oferecem vinhos surpreendentes?

De acordo com o levantamento, o esperado seria encontrar joias escondidas, vinhos fora do óbvio e terroirs surpreendentes. No entanto, a pesquisa identificou uma forte repetição de rótulos consagrados.

Quase metade das cartas analisadas repete os mesmos champagnes. Krug e Dom Pérignon aparecem em 42% das cartas Michelin. Outros nomes recorrentes incluem Château d’Yquem, Sassicaia, Gaja, Château Margaux, Vega Sicilia e Romanée-Conti.

O estudo também aponta que a França domina as cartas de vinho. Cerca de 60% delas são focadas em Borgonha, Bordeaux e Champagne, enquanto outras regiões produtoras recebem menos espaço.

Outro dado destacado pela análise é o preço das garrafas. Nos restaurantes Michelin com uma estrela, o preço médio é de US$ 197. Nos estabelecimentos com duas estrelas, a média sobe para US$ 325. Já nos restaurantes com três estrelas Michelin, o valor médio chega a US$ 446 por garrafa. Muitas opções ultrapassam os US$ 1.000.

A pesquisa também levanta uma reflexão sobre o acesso ao vinho fino. Segundo o conteúdo analisado, muitas pessoas abrem uma carta de vinhos e acabam optando por outras bebidas diante dos preços praticados.

Outro ponto destacado é que cartas extensas nem sempre significam maior diversidade. Embora apresentem muitos rótulos, a análise aponta pouca personalidade e pouca descoberta, reforçando a ideia de que mais opções nem sempre representam maior variedade.

Entre as regiões citadas como exemplos de vinhos capazes de surpreender os consumidores estão Itata, Etna, Jura, Santorini, Ribeiro, Bairrada e Serra Catarinense.

A análise encerra com uma reflexão: o vinho fino perdeu a alma ou os restaurantes estão jogando seguro demais ao apostar nos mesmos rótulos e regiões tradicionais?

Fonte: Everydaydrink – artigo de Sara Danese publicado em 12 de maio de 2026.

 

Leia também: A genética também influencia o vinho

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Quem Sou

Sou Etienne Carvalho, jornalista, sommelier formada pela ABSRS e pela FISAR, com qualificação nível 3 WSET. Atualmente, atuo como diretora e professora da ABS-DF e sigo me aprofundando no mundo do vinho como estudante de Enologia. Apaixonada por vinhos, viagens, leitura e escrita, criei este espaço para compartilhar minhas experiências e descobertas com quem, assim como eu, acredita que o conhecimento e a paixão tornam cada taça ainda mais especial.

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