
Neste 18 de agosto, Dia do Pinot Noir, uma homenagem à uva de origem francesa que, além de sua importância no mundo do vinho, ajuda a entender como a linguagem usada para descrevê-lo mudou ao longo das últimas cinco décadas.

No artigo The evolving languages of Pinot Noir, publicado em The World of Fine Wine, Meg Maker analisa essa transformação usando o Pinot Noir como lente, passando pela crítica clássica dos anos 1970 até os estilos mais sensoriais e poéticos de hoje.
Nas décadas de 1970 e 1980, a crítica estava mais relacionada à origem, à tradição e à tipicidade. A pergunta era: “Que vinho é este?”. O vinho era julgado pelo seu caráter e pela fidelidade ao lugar de origem. Termos como elegante, nobre, correto, rústico e fino eram comuns, especialmente na crítica europeia.
Entre os anos 1980 e 1990, a linguagem se tornou mais descritiva. O foco saiu da origem e passou para aromas e sabores. A pergunta mudou para: “Que gosto este vinho tem?”.
Cereja, framboesa, violeta, cogumelo, cravo, especiarias e notas terrosas passaram a fazer parte desse vocabulário. O Pinot Noir virou quase um “vocabulário vivo” da degustação.

Nos anos 1980, a criação da Roda de Aromas de Ann Noble e, posteriormente, métodos como os do WSET contribuíram para tornar a degustação mais técnica e padronizada. Esse processo ajudou a organizar a linguagem do vinho e a ensinar degustação no mundo todo, mas também tornou muitas notas parecidas.
Dos anos 1990 aos 2000, ganhou força uma escrita mais poética. O vinho passou a ser descrito com metáforas, emoção e impacto sensorial.

Robert Parker popularizou esse estilo intenso, com termos como “opulentos”, “celestiais”, “sublimes” e “deslumbrantes”, especialmente a partir dos anos 1980 e 1990.
Para Meg Maker, porém, o caminho ideal não é escolher um estilo só. A linguagem do vinho pode unir técnica, história, cultura, emoção e prazer.

A evolução mostra como a linguagem do vinho passou de uma abordagem mais técnica e ligada à origem para um vocabulário mais sensorial e emocional. O equilíbrio entre precisão e experiência pode ser uma das melhores formas de falar sobre vinho.
Fonte: Meg Maker, “The evolving languages of Pinot Noir”, publicado em The World of Fine Wine. Artigo originalmente preparado para o Pinot Noir and Identity Symposium, Universidade de Oxford, 2025.
Leia também: Rolha ou screwcap? O que o experimento da PlumpJack revela





